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O
que é Wicca?
As
fontes do renascimento do Paganismo podem ser rastreadas no início
do século XX com os trabalhos da antropóloga Margaret Murray. Ao examinar
os vários registros de julgamentos da Inquisição, Murray desmascarou
o Diabo dos relatos de Bruxas e Bruxos que foram executados e em seu
lugar encontrou o Deus Cornífero, a Divindade cultuada pelos pagãos
e que os inquisidores tinham transformado na corporificação do mal.
A medida que ia mais fundo em seus estudos, Murray encontrou o equivalente
feminino do Deus, a Deusa e desta forma desmistificou todas as antigas
superstições e estigmas negativos atribuídos à Bruxaria e identificou-a
como o mesmo culto à fertilidade que surgiu muito tempo antes do Cristianismo.
Em 1951 quando a última das leis contra a Bruxaria foi revogada, Gerald
Gardner saiu das sombras e defendeu as posições de Margaret Murray,
declarando que a Bruxaria tinha sido a religião dos antigos europeus
e que continuava a ser uma religião verdadeira para muitas pessoas
e que teria sobrevivido através de anos sucessivos de supressão sob
o nome de Wicca.
Desta forma, Gardner lançou uma nova luz às práticas da Bruxaria,
dando origem assim à um grande movimento Neo-pagão de reavivamento
das práticas e ritos da Velha Religião.
De lá para cá o movimento Pagão cresceu substancialmente e muitos
Bruxos que tinham sido instruídos por suas famílias durante décadas,
decidiram sair das brumas e se tornarem visíveis e assim em pleno
século XX ressurge uma religião que busca celebrar novamente a natureza,
os Deuses Antigos e que busca inspiração nos seus ritos no culto à
Deusa e ao Deus.
O Paganismo é o nome genérico que se dá às práticas religiosas que
surgiram na Era Paleolítica e Neolítica, onde as crenças espirituais
eram centradas no feminino, nos ritos da fertilidade, no culto aos
Antigos Deuses da natureza, nas celebrações das colheitas e plantio.
A Bruxaria busca resgatar o Divino Feminino e o papel das mulheres
na religião como Sacerdotisas da Grande Mãe. Muitas vezes chamada
de Religião da Deusa, a Arte, Religião Antiga, não é uma fantasia
de mentes deturpadas ou de pessoas que se supõem dotadas de poderes
mágicos, mas sim uma religião capaz de acolher pessoas das mais variadas
idades, raças, posições sociais e todos aqueles que vêem em seus ritos
uma forma real de se conectarem com o Divino e com a natureza.
As práticas Pagãs, dando destaque maior à Wicca, se expandiram de
uma forma inacreditável pela América Norte e Europa. Hoje o número
de Bruxos somam aproximadamente 250.000 nos EUA, ultrapassando inúmeras
religiões tidas como convencionais, dentre as quais o Budismo e o
Universalismo Unitário. O Censo canadense de 1991 registrou 5.530.000
Neo-pagãos que seriam compostos principalmente de Wiccanianos, outra
pesquisa realizada em 1997 constatou a existência de 12 milhões de
Bruxos em todo o mundo. Porém, acredita-se que o número atual é muito
maior, pois muitos não expõem sua condição religiosa publicamente.
A Wicca sustenta-se sobre 3 conceitos básicos:
a) O papel preponderante da Deusa em suas práticas e mitos em vez
de um Deus masculino, cultuando também os Antigos Deuses da natureza
e o Deus Cornífero, considerado filho e
consorte da Deusa.
b) A utilização da Magia Natural como forma de atingir nossos desejos
e mudar os fatos.
c) A crença na reencarnação, vista não somente como uma forma de evolução,
mas também como o desejo de retornar no mesmo tempo e local das pessoas
amadas.
Os propósitos da Wicca são mostrar a necessidade da reconecção com
a natureza, com os ritmos e ciclos naturais do Sol e das Estações
e a busca de um novo equilíbrio do homem com o seu meio ambiente.
Os Bruxos amam e cultuam a natureza e através dela procuram integrar
mente, corpo e alma. Acreditam que para evoluírem integralmente devem
sentir-se parte integrante da Terra, que é a própria Deusa. Esta atitude
é a essência da Wicca!
Texto recebido por e-mail
Colaborou Antônia dos Santos (RJ)
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