A época de Sidarta

Por volta de 560 a.C, a Índia era dividida em pequenos reinos. O reino de Sakya localizava-se entre o norte da Índia e as montanhas do Himalaia, ao sul do atual Nepal. Sakya era governada pelo rei Shuddhodana que era casado com sua prima, Maya. Obedecendo aos costumes da época, ela estava a caminho de sua terra natal, a fim de dar à luz seu filho e, chegando no Jardim de Lumbini, entre as cidades de Devadaha e Kapilavastu, o menino veio a nascer, e recebeu o nome de Sidarta Gautama.

Maya faleceu uma semana após o nascimento Sidarta, este passou a ser cuidado por sua irmã, Mahaprajapati. Consta que os oráculos, ao verem o menino, diferente das pessoas comuns, ostentando diversos sinais de excelência em sua fisionomia, profetizaram que o príncipe se continuasse no reino seria um grande rei.

Contudo, tomando o caminho de asceta, seria o BUDA, salvador do mundo.
O rei, seu pai, acalentava o sonho de que Sidarta se tornaria o rei Tenrin, por isso ensinou-lhe todas as formas de letras e artes marciais disponíveis na época, e em todas elas ele teria demonstrado excelência. Entretanto, Sidarta tinha uma índole meditativa desde berço e, com freqüência, buscava no silêncio seus momentos de reflexão.

O rei, a fim de levantar o ânimo de seu filho, construiu-lhe palácios adequados para as estações de frio, calor e chuvas; procurava diverti-lo com músicas e danças, e até lhe trouxe a linda princesa Yasodhara como sua consorte, com quem teve um filho - Râhulla. Porem, Sidarta não conseguia viver despreocupado como seu pai.

Não podia receber de braços abertos os prazeres da vida. Começava a raciocinar profundamente sobre si mesmo e seu próprio reino e o triste destino de toda a humanidade.

Quando saía a passeio pelo portão do palácio até o bosque real, consta que ora se encontrava com um velho decrépito, sem forças, à beira da estrada, ora com um doente sofrendo de dores; em outras ocasiões, deparava-se com funerais onde os acompanhantes choravam a morte de parentes; e com monge que transmitia extrema pureza. Ainda que esta história, "Saída dos Quatro Portões" possa eventualmente ser lenda, ilustra bem seu interesse pela humanidade despertado em seu coração.

Como poderia ele mesmo, bem como a humanidade, superar esse destino - este foi o assunto que dominou sua mente dia e noite e que, afinal, determinou sua decisão de deixar o palácio real. Com receio justificado de enfrentar resistência palaciana, saiu à revelia, na calada da noite. Alcançando a fronteira, mandou de volta o criado e o cavalo, ordenando que transmitisse sua decisão ao seu pai, o Rei.

Houve tristeza no palácio. Mas, cientes da decisão inabalável do príncipe, não ouve outra alternativa senão aceitar a sua vontade. Conforme documentos antigos, dignos de confiança, Sidarta teria 29 anos nessa ocasião.
Durante seis anos, Sidarta praticou o ascetismo chegou a experimentar os métodos mais violentos de asceticismo, considerados impossíveis para pessoas normais, a ponto de noticiarem a sua morte. Não foi possível, porém, alcançar qualquer sentimento de Iluminação. O que soube através dessa experiência é que castigar o corpo, até chegar próximo da morte, não proporciona a paz espiritual.
Pelo contrário, poderia perturbar o espírito. O que significa dizer que, a paz de espírito só se atinge através do corpo sadio e perfeito. Ele percebeu que o próprio fato de procurar o estado de Iluminação através da prática do asceticismo, que beira a morte, é uma espécie de "apego". O "apego" em si, já prejudica a paz espiritual. E compreendeu que a vida palaciana e a vida ascética são dois extremos; o ideal é seguir um caminho intermediário, o caminho do meio.

Assim, abandonou o asceticismo praticado até então. Lavou e purificou o
corpo em águas límpidas da correnteza próxima, alimentando-se de papa de arroz com leite, oferecido, por uma senhora da aldeia. Seu corpo, extremamente enfraquecido, recuperou-se aos poucos.