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Metrô Linha 743
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Ele ia andando pela rua meio apressado
Ele sabia que tava sendo vigiado
Cheguei pra ele e disse: Ei amigo, você pode me
ceder um cigarro?
Ele disse: Eu dou, mas vá fumar lá do outro
lado!
Dois homens fumando juntos pode ser muito
arriscado!
Disse: O prato mais caro do melhor banquete é o
que se come cabeça de gente
Que pensa e os canibais de cabeça descombrem
aqueles que pensam porque quem
Pensa, pensa melhor parado! Desculpe a minha
pressa, fingindo atrasado,
Trabalho em cartório mas sou escritor.
Perdi minha pena nem sei qual foi o mês...
Metrô Linha 743
O homem apressado me deixou e saiu voando
Aí eu me encostei num poste e fiquei fumando
Três outros chegaram com pistolas na mão, um
gritou:
Mão na cabeça, malandro, se não quiser levar
chumbo quente nos cornos
Eu disse: Claro, pois não! Mas o que é que eu
fiz?
Se é documento, eu tenho aqui...
Outro disse: Não interessa, pouco importa,
fique aí!
Eu quero saber o que você estava pensando
Eu avalio o preço me baseando no nível mental
Que você anda por aí usando,
E aí eu lhe digo o preço que sua cabeça agora
está custando.
Minha cabeça caída, solta no chão
Eu vi meu corpo sem ela pela primeira e última vez
Metrô Linha 743
Jogaram minha cabeça oca no lixo da cozinha
E eu era agora um cérebro vivo à vinagrete
Meu cérebro logo pensou: Que seja, mas nunca
fui tiete!
Fui posto à mesa com mais dois, e eram três
pratos raros
E foi o maitre que pôs
Senti horror ao ser comido com desejo por um senhor
alinhado
Meu último pedaço, antes de ser engolido, ainda
pensou grilado:
Quem será o desgraçado dono dessa zorra
toda!!!
Já tá tudo armado, o jogo dos caçadores canibais
Mas o negócio é que tá muito bandeira!!!
Tá bandeira demais, meu Deus!!!
Cuidado brother, cuidado sábio senhor
Eu aconselho sério prá vocês
Eu morri, e nem sei mesmo qual foi o mês
Metrô Linha 743
É... Por aí!
O Messias Indeciso
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Certa vez houve um homem
Comum como um homem qualquer
Jogou pelada descalço
Cresceu e formou-se em ter fé
Mas nele havia algo estranho
Lembrava ter vivido outra vez
Em outros mundos distantes
E assim acreditando se fez
(Sim)
E acreditando em si mesmo
Tornou-se o mais sábio entre os seus
E o povo pedindo milagres
Chamava esse homem de Deus
Ah! Quantas ilusões
Ah! Quantas ilusões
Nas luzes do arrebol
Quantos segredos terá?
Quantos segredos terá?
E enquanto ele trabalhava
Na sua tarefa escolhida
A multidão se aglomerava
Perguntando segredos da vida
E ele falou simplesmente
Destino é a gente que faz
Quem faz o destino é a gente
Na mente de quem for capaz
E vendo o povo confuso
Que terrível, cada vez mais lhe seguia
Fugiu pra floresta sozinho
Pra Deus perguntar pra onde ia
Mas foi sua própria voz quem falou
Seja feita a sua vontade
Siga o seu próprio caminho
Pra ser feliz de verdade
E aquela voz foi ouvida
Por sobre morros e vales
Ante ao messias de fato
Que jamais quis ser adorado
Meu Piano
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Nada mais é coerente
Se virar de trás pra frente
Tanto fez como tanto faz
Já experimentei a casa inteira
E não achei um lugar pro meu piano...
Entra ano e sai ano
Não cogito em fazer planos
E eu só gostei do quadro que eu não pintei!
Lá pras três da madrugada
A síndica embriagada
Resolveu escancarar
Numa briga com o marido
Num acorde sustenido
E o meu piano fora do lugar...
Haja santo e haja vela
Mesmo assim a Cinderela
Meia-noite vai desencantar. Desencantar!
Cinderela, Cinderela, Cinderela
Bota meu piano no lugar...
Eis que a noite se fez dia
E eu naquela agonia
Vi pela janela um velho entrar
Se dizendo faxineiro, um expert em banheiro
Pro meu piano afinar
E aos trancos e barrancos
Vasculhei todos os cantos
E o meu piano sempre fora do lugar
Cinderela, Cinderela, Cinderela
Bota meu piano no lugar...
Quero Ser o Homem que Sou (Dizendo a Verdade)
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Dizendo a verdade
Somente a verdade
Mas dizendo a verdade
Somente a verdade
Essa vã criatura indecisa do mal
Indecisa no bem
Sempre buscando venturas e sempre à procura
Das dores também
Com todos os desejos, pecados, receios
Rancor e arquejos
Do animal que gargalha
E que traz na boca rugidos e beijos!
Dizendo a verdade
Somente a verdade
Esse gênio esboçado, essa criança louca
Esse filho da dor
Que foi capaz de erguer do lodo
U'a voz rouca e um canto de amor
Enquanto geme e chora
Mata e mente, acusa e defende
Deixa ficar pra trás
Na sua jornada uma canção de glória!
Quero ser o homem que sou
Sim, quero ser o homem que sou
Sim, quero ser o homem que sou
Mas... dizendo a verdade
Somente a verdade
Dizendo a verdade
Eu quero ser o homem que sou
Assim, da maneira que sou
Canção do Vento
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Lá vai o vento, Brasil adentro
Lá vai o vento, Brasil adentro
Lá vai o vento, Brasil adentro
Vento, vento zangado
Desmancha os cabelos da velha do lado
Sopra teu longo assovio
E brinca de roda com quem tá parado!
Vai, arrasta a chuva
Assanha estas nuvens de tempestade
Mas sopra doce o teu sopro
No rosto do moço que fala a verdade
Dos anjos da luz
Das bestas sua igualha
Vento que venta cantando
Embala as palmeiras na beira do mar
Conta a história das matas
Do verde das terras do lado de cá
Assopra e faz ventania
De noite ou de dia
Trazendo recados
Vento que varre os sertões
Levando notícias
Não fica calado
Dos anjos sua luz
Das bestas sua igualha
Lá vai o vento, Brasil adentro
Lá vai o vento, Brasil adentro
Lá vai o vento, Brasil adentro
Mamãe Eu Não Queria
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Larga dessa cantoria menino
Música não vai levar você à lugar nenhum
Peraí mamãe, guenta aí
Mamãe, eu não queria
Mamãe, eu não queria
Mamãe, eu não queria
Servir o exército
Não quero bater continência (Trá-lá-lá-lá)
Nem pra sargento, cabo ou capitão
(Trá-lá-lá-lá)
Nem quero ser sentinela
Que nem cachorro vigiando o portão
Não!
Mamãe, eu não queria
Mamãe, eu não queria
Desculpe, Vossa Excelência
A falta de um pistolão
É que meu velho é soldado
E minha mãe pertence ao Exército da Salvação
Não!
Marcha soldado, cabeça de papel
Se não marchar direito vai preso pro quartel
Sei que é uma bela carreira
Mas não tenho a menor vocação
Se fosse tão bom assim mainha
Não seria imposição
Não!
Mamãe, eu não queria
Mamãe, eu não queria
Não, não, não
Servir o exército
Você sabe muito bem que é obrigatório
E além do mais você tem que cumprir com seu
dever com orgulho
Mamãe, eu não queria
Você sabe muito bem que é obrigatório
E além do mais você tem que cumprir com seu
dever com orgulho e dedicação
Mamãe, eu morreria
Pela causa, meu filho, pela causa
Mamãe, eu não queria
Mamãe, mamãe
O exército é o único emprego pra quem não tem
nenhuma vocação, mulé
Mamãe, mamãe
Eu...
Mais I Love You (Pra Ser Feliz)
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O que é que você quer?
Que eu largue isso aqui?
É só me pedir
Soldado ou bancário
Garçom ou chofer
Eu paro de ser
De ser cantor
É só dizer
Pra não morrer
Meu único amor
Eu largo o que sou
Vou ser zelador
De um prédio qualquer
Sentado ao portão
O portão dos sonhos
Que você sonhou
Diga o que você quer
Se acaso você quiser
Feliz eu serei o seu nada
Mas um nada de amor
Eu lavo e passo
Sirvo a mesa e faxino
Aprendo e te ensino
Posso até dirigie
Comprar um táxi
Só pra lhe servir
Deixo de ser coruja
Pra ver sua cotovia
É só viver de dia
Pra você ser feliz
Geração da Luz
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Eu já ultrapassei a barreira do som
Fiz o que pude às vezes fora do tom
Mas a semente que eu ajudei a plantar já nasceu!
Eu vou, eu vou m'embora apostando em vocês
Meu testamento deixo minha lucidez
Vocês vão ter um mundo bem melhor do que o meu!
Quando algum profeta vier lhe contar
Que o nosso sol tá prestes a se apagar
Mesmo que pareça que não há mais lugar
Vocês inda tem
Vocês inda tem
A velocidade da luz pra alcançar
Além depois dos velhos preconceitos morais
Dos calabouços, bruxaas e temporais
Onde o passado transcendeu
Há um reinado de paz!
Vocês, serão o oposto dessa estupidez
Aventurando tentar outra vez
A Geração da Luz é a esperança no ar!
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