A voz do silêncio

Que os poetas fazem versos do sorriso com a dor
Eles sempre olham minha cara sem ver meu coração
Eu me fiz, estou pronto pra te fazer sorrir ou chorar
A vida seria tão leve se leve fosse quem faz a vida
Eu escrevo meus versos no momento da sua aversão
Que fosse o bom da flor, o bom no tom da sua cor
Que fosse amena a tua dor no que te falta pra compor
Que fosse muito a tua grana pra te fazer sorrir
Aos ancestrais do ódico, o belo, singela pena a deslizar
Aos guerrilheiros mudos num coração como bandeira
Às matracas trocando verbos com o vento a te acalmar
Que fosse o dom de ser o ser pra ser, só ser e só ser
Que cada qual, um instrumento falasse notas musicais
Que fosse os céus, repartindo estrelas como somos
Que se extraísse o nós do eu, amando assim o eu do nós
Então era blues, era lindo, era belo, era só e não seria
Então morrer não era triste, pois o renascer lhe sorriria
E assim poetas então seriamos como poeta é a vida
E não seria a tal pergunta que alguns não calaria.

01.05.02

Ydelvandes de Oliveira (De Oliveira)