Ante a ti

Ante a tua morte, senti vergonha ante a minha vida
Do que te vi, do que não fiz, do que não sou!
Como posso dizer que amo, se tua ausência me cala?
Como posso dizer que perdôo, se tua ausência me cala?
E pensar que somos os mortos este tempo todo!
E pensar que li teus livros, sem atinar tuas obras
Como posso me sentir feliz, sem saber que já era?
Como não entendi que a simplicidade é o caminho
Você caminhou enquanto eu dormia
Você agradeceu enquanto eu pedia
Você era luz enquanto eu não me via
Você entendia a dor enquanto eu sorria
Me fez sentir a dor, mas agora você já sorria
Pois partiu no momento da alegria
Ante a tua morte estive diante da minha vida
Diante dos espelhos que cercam meu quarto
Esta vida é imensa, é um imenso mar de vida
Ondas que quebram trazendo segredos
Segredos das pegadas que ainda estão nas areias
Dos poemas que o vento traz invadindo o meu coração
De novo estou ante a você, ante a mim mesmo
Com lágrimas banhando a alma
E tão pequeno diante agora do teu silêncio.

03.07.02

Ydelvandes de Oliveira (Dê Oliveira)