Essa paz é uma guerra

Eu trago versos dentro de mim e fora nas ruas
E no meu berro a onde encerro a minha dor
Amar, ainda que me custe um preço este amor
Eu vou recitar esse poema do meu amor por ela
Plantar rosas brancas nos jardins de petróleo
Regar com óleo de ouro negro, esse amor
Mesmo esse jeito, Pilatus, ianque cego da verdade
E mesmo esse seu EUA do egoísmo de IRA do QUE
Ela precisa só saber do que eu sinto em lhe ver
Vinde a mim as bombas e os pequeninos
Não me dou ao direito a uma lágrima, no teu sorriso
Nem mesmo a tirania das mil e uma noites
E o clarão do medo sob o clarão da noite
Tens nos olhos, a tua voz, sois vós a tua boca
Vou rasgar minha roupa feito bandeira de estrelas
Colar meu corpo nu bem junto ao seu
Fronteiras e divisas são iguais e amar é só querer
Se por ventura, seu beijo não sufocar meu grito
Ser eu então mais um aflito no show da vida diante da TV
Me acorde baby, pois Deus me chama: vá viver
Você é tão bela e eles tão bélicos e nada tão sutil
Como as pétalas de rosas, pegadas na areia
Na mesma areia em que tanques roncam para Bagdá
Somos as moradas, as almas aprendizes do amor
Toda essa ira é roupa que não serve, eu sou um ator
Meu riso é extensão de sua voz no meu coração
Me conte histórias que eu não vou dormir
Me fale do oriente, mas, não diga-me que o sonho acabou
Bate meu coração, como nasce o sol em cada dia ou ilusão
Germe do trigo do amor, que arrasta o corpo na alegria
Olhos espelhos de estrelas que sob a lua cheia cinge o amor
Como sou tu és, do barro, do sopro e as inquietações da paz
Sou um homem que ama Eva e Líllith na sombra e na luz
Sou só um homem procurando paz no vale das lágrimas.

22/03/03

Ydelvandes de Oliveira (De Oliveira)