O coióte

Quando a noite abarca a lua
E a fúria ilude o homem
Meu uivo é o lamento
De quem pressente o absinto
Da flor ou bomba de estrelas
Brinco bêbado com a luz
E acaricio a face da lua cheia
Que me beija e sorri. É você
Uma vontade de onde não sei
Meu instinto, meu amor de coióte faminto
Entregando-se ao cio da lua
Longe da matilha dos homens raivosos
Sou um coióte cheirando a luz
Longe da alcatéia que procura o poder
Meu uivo é de paz qualquer que seja o lobo
Sem incesto aos incertos horizontes
Um coióte fazendo a trilha
Que brinca com a sombra e faz canções
Sou quem traz no uivo o grito da liberdade
No instinto e no pêlo, o aprendizado do amor
E quando a noite abarca a lua
Sinto no faro a fúria do homem
Que respira a dor na fumaça do caos.

19/04/03

Ydelvandes de Oliveira (De Oliveira)