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Eu quero escovar meus dentes
A velocidade da pressa apaga o passado
Enganos de um presente baleado e saqueado
Fotos amareladas com imagens desfiguradas
Parece até que não tenho história ou identidade
Meu Deus! A pressa passa e não reconhece as praças
Como deve ser de novo o perfume e o sabor das manhãs?
Globalizaram tudo, sem preencher as inquietações
Tudo é nadismo para aquilo o que somos e sem cor
Os dias do calendário são meras decorações do ano
E quais são as datas que nos restam para comemorar?
Uma corrida para o futuro incerto, um incesto do âmago
Câmeras escondidas no quintal do grande brother
Feche as portas e janelas, mas deixe o coração aberto
Que eu estou no mundo da pressa a procura do meu eu
Na inter rede da agonia dando a diretriz à massa
Tenho nos bolsos sem grana, um papel, um poema
Uma pergunta da arte que procura a simplicidade
E no verso a resposta do que é vir e ver, o que é viver
Quem se da conta do que seja terra, filho, flor e luz?
Quando se volta para o sangue, ouro em pó e cocaína
Quem se da conta do que seja fogo, água, fé e afeto?
Quando se voltam para usinas que promovem a grassa
A graça paira no universo e não se encontra nas ruas
Um país dos números, cidade dos deuses, contas atrasadas
Onde bêbados misturam-se à mitologia para suportar a dor
E o caldeirão do oriente segue cozinhando o suculento ódio
Bandeiras que só encontram motivos para extermínio
Onde a violência faz seu ponto em cada boteco da esquina
Dias que emendam noites sem guardiões da meia noite
Imagine então o poeta e seu algoz no parque central
Lennon, "você não entende nada", és ainda um sonhador.
Em 16/01/03
Ydelvandes de Oliveira (De Oliveira)
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