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Bombons, sorvetes, cocaínas e bombas
Passados dois mil anos
Hoje eu quase sei o quanto não sabia esse tempo todo
Adormecido na pedra da ignorância, das atrocidades
Que me compus no ápice da minha cegueira
Afundado no ópio da brutalidade.
Deixei meu corpo todo torto,
Queimando no inferno dos meus pensamentos,
Matei meus pais, deixei-me ser violentado pelos meus filhos
Já não distinguia mais os valores da paz e promovi as guerras
Aniquilei os inocentes
Levantei bandeiras das religiões ufanas
Tudo pelo valor do níquel e o reluzente ouro
Rompi fronteiras na busca do meu egoísmo,
Usei, mostrei e provei da minha força bélica,
Sorri e acariciei a criança com um saco de cola na mão
E no auge da falsa consciência me elevei
Me coroei como um deus
Adubei as terras com a fome e a miséria,
Executei quem sorria,
Levei aos paredões os mártires da paz
Pintei de carmim a natureza verde
Fui eu quem comandou os soldados no fronte
Arquitetei políticas e brinquei no poder
Eu patrocinei a peste e a miséria
Passados dois mil anos
Já nem sei mais quem fui
Só sei que é escuro o vale das lágrimas
Hoje me encontro diante de ti
Pedindo outra chance à vida
Hoje eu quero uma nova identidade
Hoje eu tenho consciência de quem sou
Sou homem! Sou humanidade.
05/04/03
Ydelvandes de Oliveira (De Oliveira)
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