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Plenitude
Para ser pleno eu preciso me ver
Renovar e rever os valores
Ir a fundo e perceber que não há sábios
E que meu corpo arcaico não corresponde
O que distante está do meu alcance
A luz é muito mais do que eu posso ver
A verdade muito mais ampla que o horizonte
Tão simplista por ser somente céu e terra
Para ser pleno eu necessito saber
Das coisas do infinito, do que eu não entendo
E que está no próximo o que eu não compreendo
Há sempre uma página, um capítulo, outra escrita
São almas, línguas, verbos e costumes
O negro, o vermelho, fronteiras e verdades
Morrer, renascer, viver e alcançar portais
Pelas trilhas, estradas descortinando o véu
Para ser pleno eu preciso renunciar
Dar o pão do espírito e o éter ao corpo
Conhecer outros endereços sem telefones
Caminhar em direção às moradas da casa do Pai
Das parábolas, dos tesouros das oportunidades
Tudo quanto o que me nego enquanto nego a vida
Que a vida é a sutileza de sua extensão
Volitar, arcanjos, querubins, coisas que suponho
Para ser pleno eu tenho de aceitar
O arcaico "eu" precisa do concreto sob os pés
O cinema mudo diante da segunda morte
E a morte como meio de transporte aos planos
Com planos de avivar o transformar da liberdade
Que abre e se expande na medida do saber.
24/10/03
Ydelvandes de Oliveira (De Oliveira)
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