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A voz do mestre
Acreditando em que mantenho a fé
De que a poesia possa dar-me lucro,
Embora veja o sentimento xucro,
Volto, de novo, a repetir: - Dá pé!
Mas não encontro a rima e me confundo,
Quando saber devia, previamente,
Que o texto todo tem de estar assente
Nas regras dos que vivem nesse mundo.
Aí, me ponho atento e estabeleço
Que o tema que melhor sei solfejar
Não pode ser comprado num bazar
Nem deve ser mostrado pelo avesso.
O atrevimento que o poeta imprime
Em cada verso que lhe dita a alma,
Toda ansiedade, por feliz, lhe acalma
Mesmo que a trova não se dê sublime.
A longa estrofe já me faz sentir
Que está mui longe o termo da jornada,
Mas algo existe que não mais enfada,
Fazendo alegre a estrada do porvir.
- Não tenhas pressa! - me dizia o mestre,
Ao censurar-me a trova sem critério.
- Aos poucos, cresce o vulto do mistério,
Porquanto tu não és mais ser terrestre.
- A diferença está em que os de cima
Já podem compreender melhor os fatos,
Enquanto que os mortais só vêem boatos,
Na fala generosa desta rima.
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