Em versos quase brancos

Senhor, perdão vos peço nesta angústia,
Porque não tenho cura de imediato:
São tantos os defeitos de minhalma
Que a prece não me traz o lenitivo
Que me traria, se com fé pedisse.

Assim, vou preparando o meu caminho,
Sem tropeçar nas rimas que não faço,
Deixando tão-somente uns breves rastros
Por sobre a areia fina mediúnica,
Onde a impressão do mal põe seu aviso.

O companheiro que me toma o verso
Vai espantar-se quando o ler de novo,
Porque não tem noção que satisfaço
As regras da poesia cá da Terra,
No que concerne à métrica e ao compasso.

Se, acaso, alguma rima transparece,
Porquanto ao meu ouvido não carece
Que o som venha conforme ao prisma humano,
Perdoa-me, leitor, o atrevimento,
Porque meu Pai vai perdoar-me a falta.

Se cá sentisse ainda o despautério
De ver o meu poema bem dotado,
Melhor procederia no rascunho
Que tenho apresentado ao caro mestre,
Sem medo de lesar a caridade.

Então, as coisas ficam bem-paradas,
Que é como deveriam de ficar,
Se tudo fosse bom dentro em minhalma,
Como estaria esta poesia agora,
Se cá viesse um vate de valor.

Vou terminar, porquanto já cansei,
Pois este esforço é muito para mim.
Pedi perdão a Deus, lá no começo,
E ao bom amigo que me leu a trova
E me despeço agradecendo ao médium.

Esteja o bom Jesus em vosso lar,
Abençoando os feitos da bondade,
Para inspirar a todos as virtudes,
Que a vida permanece sempre aberta,
Para crescer no Amor e na Verdade.