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Proseando com o escrevente
Não quero atrapalhar o meu amigo,
Na pretensão modesta de ir ao centro;
Mas tenho de dizer-lhe que comigo
Irá ficar do etéreo mais por dentro.
Eu sei que o nosso irmão bem desconfia
De quem vem lhe ditar a pobre rima,
Que é prosa tão-somente esta poesia,
Metrificada, embora, neste clima.
Porém, não vou deixá-lo mais na mão,
Buscando estranhos termos nos exóticos
Labrintos do seu cérebro, eu, não,
Pra que meus versos não se dêem caóticos.
Não vou forçar a barra nem um pouco,
Impondo ligeireza ao meu ditado.
Alguém irá dizer: - Coisa de louco! -,
Enquanto eu mais me alegro deste lado.
Por isso, vou deixando este bom posto,
Pra que meu médium tome a decisão,
Já que trabalha aqui com muito gosto
E lá no centro irá dar sua mão.
Despeço-me a sorrir de satisfeito
Coo resultado nobre do poema.
Qualquer seja a verdade, eu bem respeito
Os cânones sagrados deste esquema.
Adeus, meu caro, vou dar de pinote,
Cantarolando a rima do refrão,
Que, por ser rica, peço que me anote:
A caridade é amor no coração.
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