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O conquistador
Não trago boas novas pros mortais:
Apenas que já posso vir contar
Como é que me situo nos Umbrais,
Que transformei, por ora, em doce lar.
Preciso concentrar-me na maldade
Que foi o que me trouxe tanta dor.
Confrange-me a amargura que me invade,
Ao ter de o coração aqui expor.
Valente tentei ser durante a vida,
No entanto, fui covarde nas conquistas.
Nutri-me com tal ódio, sem guarida,
Buscando escafeder-me doutras vistas.
Realizei loucuras muito estranhas,
Na alcova acetinada da mansão.
Se as narrasse, ouviria: - São patranhas:
Ninguém há que se dê tal perdição...
Arruinei tantos sonhos promissores
De moças que se tinham por espertas.
Enfrentei, pelos crimes, os horrores,
Por jamais ter cumprido as vis ofertas.
Estas quadras dão bem o testemunho
De que trago minhalma em pandarecos:
Por tão ruim poema, eu me acabrunho;
Outros sons desejava para os ecos.
Que fazer, se não tenho outro recurso,
A não ser desejar melhor fortuna
Ao irmão que está sendo amigo-urso,
Deixando que a consciência, um dia, o puna?!...
Eu canto o desconsolo de minhalma
E vou levando a rima até o fim.
Quem sabe o coração receba, em calma,
As vibrações de amor que dêem a mim!
Eu peço, compungido, que perdoem
O atrevimento sério desta trova,
Mas são os filtros bons onde se põem
Os erros que a consciência mais reprova.
Espero ter trazido para o povo
O enguiço em que meu cérebro se esfalfa.
Se me deixarem, volto aqui de novo:
No abecedário, estou na letra alfa.
O médium quer que faça outra quadrinha,
De modo que lhe dê satisfação,
Mas o sonho de luz se desalinha,
Na rima que se dá somente em -ão...
Não quero aborrecê-lo com tais versos,
Por isso, vou parando por aqui.
Os outros que fizer serão perversos:
Ao Pai peço perdão; também a ti.
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