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Balada
Toquei a fronte da morte. Era fria.
Tinha os lábios desenhados de ironia.
O olhar retinha uma estrela
que luzia.
O olhar da morte, entre pálpebras,
quase fechava - era dia -
a morte toda de noite se vestia.
Vi as flores da morte, um jardim
que fenecia.
Tentei respirar a morte, anoitecia.
Pouco a pouco andamos perto
a morte e eu,
me comprazia
em sentir seu vestido que uma aranha
infinitamente serzia. Era mendiga, a morte
e lentamente se despia. Nua,
a moldura do olhar me consumia,
e invisível deixava-me à mercê
do que morria.
E já não era então, a morte, a fantasia
da minha dor, nem intérprete ou cicerone.
Varria
aos meus pés a poeira de onde vim
e para onde ia.
O Campo-Santo era uma pátria sem valia.
20-09-90.
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