Minas de Natal

Minas nasceu assim:
Tesouro entranhado sob o recorte montanhoso
A luz se fez ouro por debaixo de seu manto
E a água teceu fios, matizes de teias, véus de seda congelados
Engendrando gemas de pedra, chão de arco-íris cristalizado
Entre verdes vales, cordilheiras e cascatas.

Minas renasceu assim:
Prenúncio engalanado de barrocos traços
Pela arte humana cinzelada
Como tela rara
Singrando céus em linhas sobrepostas
de torres e telhados.
Prelúdio de vidas entrelaçadas
Ao ouro, que recobriu de fé altares e amores
E às palavras, que esculpiram hinos e poemas
Geminadas à música, sublime e rara.

A gente de Minas nasceu assim:
Talhada em ferro e amansada em fé
Retrato entrevisto na voz de seus múltiplos poetas
E em sua música, incenso de entranhas da terra
Som galáctico, uivo do universo
Que das igrejas voa ao mais alto
Ecoando no infinito, elevando-se em mito
Um misto de cristal da terra e cristal faringeo.

No Natal, Minas canta em voz de coro de meninos
Evocando a imagem de um outro menino
Que parece aqui nascido
Pousado em topázios e turmalinas
Trazendo nas mãos, gotas de amor em chuva
Amor sonorizado em fé por ondas cristalinas
Amor que no Natal resplandece
E que no gesto de entrega solidária
Herdado por sua gente, transparece
Um encontro do tesouro da terra com o tesouro d’alma.