Invólucro

Embutida na inércia do tempo
vou arrastando comigo meu invólucro
cheio de registros
dos momentos dolorosos vividos,
num profundo e fatídico remoer.
Na boca,
o gosto amargo da dor,
na mente,
um dilacerar de idéias mal definidas,
sonhos esfacelados e multifacetados...
O corpo inerte,
não percebe o torvelinho oculto na alma
que outrora foi tirada do prumo,
arrebatada da alcova
na violência demente de um ser
possessivo e permissivo
que ousou corromper a palavra Amor.
E nesse invólucro doído
recriarei em liras e versos
meu acalanto.
E no âmago das linhas traçadas
um novo despertar
que transcenderá os dissabores
e o tempo!

Vanderli Medeiros