Interlúdio

Sou sobras de flores
Largadas no chão
Pisadas sem piedade
Murchas e machucadas.
Em dias de sol eu brilho
Em dias de chuva eu me escondo
Por entre os pedaços de restos
De sobras de coisas que foram
Inteiras um dia.
Sou lembranças de dia
Saudades de noite
Semana passada.
Sou o que foi ontem
E hoje já não é mais.
Em quarto crescente eu diminuo
Em quarto minguante eu desapareço
Na cheia eu me afogo
De tristeza.
Sou a certeza segura
Convicta
De que tenho dúvidas
Se o fim é a morte
Ou se a morte é, enfim,
Parte de mim.