Biografia

Vinicius de Moraes foi muito mais que nosso 'Poetinha', apelido carinhosamente atribuído a ele. Marcus Vinicius da Cruz de Melo Moraes foi compositor, intérprete, escritor, jornalista, advogado, diplomata. Uma pessoa que viveu a vida ao máximo, passou uma metade dela viajando, a outra amando (teve nove casamentos).


O menino nascido na Gávea, Zona Sul do Rio, no dia 19 de outubro de 1913, era um apaixonado pelo mundo. Daí suas escolhas profissionais, em todos os sentidos. Obcecado pelo dom de viver, Vinicius sempre procurou fazer aquilo que lhe proporcionasse prazer. "Foi o único e nós que teve a vida de poeta", confessou o mestre Carlos Drummond de Andrade.

A carreira diplomática começou em 1943, e teve passagens pelos Estados Unidos, onde trabalhou como vice-cônsul, França, como segundo-secretário da embaixada, e Uruguai. Em 1957, passou a fazer parte da delegação brasileira na Unesco. Tais atividades só foram interrompidas em 1968, quando foi punido pelo Ato Institucional n.º 5 com aposentadoria compulsória do Itamaraty, depois de 26 anos de (bons) serviços prestados.

O jornalismo e a crítica de cinema foram outras ocupações profissionais. Trabalhou nos jornais Última Hora, A Manhã, Suplemento Literário, O Jornal e na revista Clima, entre outros lugares. Em 1936, ele foi nomeado representante do MEC na Censura Cinematográfica. O trabalho, puramente burocrático, resultou apenas na certeza da personalidade de Vinicius: ele dormia durante as sessões e nada censurava. Mais de bem com a vida, impossível! Uma atuação mais animada e engajada viria em 1947, com a fundação da revista Filme, da qual ele participou e manteve contato com diretores famosos como Orson Welles e Walt Disney.

Viajante que era, percorreu a Europa em 1952 com o objetivo de estudar a organização dos festivais de Cannes, Berlim, Locarno e Veneza. Em 1966, foi membro do Júri Internacional de Cannes. Mais uma do cinema na vida do poetinha: a sua peça teatral Orfeu da Conceição, de Marcel Camus, serviu de base ao filme Orfeu do Carnaval, premiado em 1959, com a Palma de Ouro no Festival de Cannes, e em 1960, com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Vinicius era admirado não apenas por sua obra. Antes de poeta, ele foi uma pessoa querida por todos seus companheiros, parceiros e amigos. Um carioca da gema, como podemos definir pelo seu amor à cidade, que pode ser comprovado através dos sonetos e músicas. Nosso poetinha faleceu no Rio de Janeiro em 9 de Julho de 1980, mas seu legado ainda está presente nos corações dos apaixonados. Apaixonados pela vida, acima de tudo.


Prosa e Poesia

Apesar de respeitado profissionalmente na Diplomacia e Jornalismo, Vinicius seria lembrado, décadas mais tarde, por sua atuação em outras áreas: poesia, prosa, música. Na Faculdade de Direito, ficou amigo do romancista Otávio Faria, que descobriu e incentivou sua vocação literária. A estréia nas letras foi aos vinte anos, em 1933, com a publicação do livro O Caminho para a Distância. Porém, um ano antes, um poema de Vinicius foi incluído no jornal católico A Ordem: A transfiguração da Montanha.


Na época, talvez Vinicius não soubesse ainda que se tornaria um dos mais admirados poetas brasileiros. Cinco anos depois, ele ganharia uma bolsa do Conselho Britânico para estudar Língua e Literatura Inglesa na Universidade de Oxford, na Inglaterra. A primeira de muitas idas ao exterior, profissionalmente ou por puro prazer. De certo que com a entrada na Literatura, algo acontecera com Vinicius, aquele menino que escreveu seu primeiro poema aos sete anos na Escola Primaria Afrânio Peixoto, no Rio. Por sorte dele, por sorte maior nossa.

Forma e Exegese, publicado em 1935, foi a segunda incursão de Vinicius pelas letras, seguida um anos depois por Ariana, a Mulher, livro considerado o apogeu da primeira fase de sua obra. A mística e ânsia pelo absoluto que imperava nas primeiras publicações do poetinha seria substituída por uma abordagem mais lírica e sensual, com passagens experimentalistas, em Novos Poemas (1938) e Cinco Elegias (1943). Tal fase coincide com o processo de amadurecimento do poeta.

Os temas de sentido social e de mundo tornariam-se uma constante na última fase de sua obra; uma poesia integrado ao cotidiano, em parte pelo fato de Vinicius ter morado em diversos bairros do Rio (Botafogo, Gávea, Ilha, Ipanema) durante a infância e juventude. Seus versos refletiriam, mais tarde, tal pensamento de mobilidade e amor pela cidade do Rio, como pode ser percebido em Poemas, Sonetos e Baladas (1946), Antologia Poética (1954), Livro de Sonetos (1957), Novos Poemas II (1959) e Para Viver um Grande Amor (1962).


Música

Vinicius de Moraes, Antônio Carlos Jobim e João Gilberto são nomes fundamentais quando se fala em Bossa Nova. Cada um teve papel importante no movimento de renovação da música popular brasileira. A mistura de samba e jazz teria como emblema canções como Garota de Ipanema. Vale lembrar que uma infinidade de poemas de Vinicius foi musicada durante esses anos e décadas depois, por admiradores da obra do poetinha.


Apesar de só se tornar conhecido pela sua produção musical através da Bossa Nova, a verve de músico de Vinicis sempre esteve presente em sua vida. O ambiente familiar contribui bastante para tal; o pai, Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, era violonista amador, e a mãe, Lídia Cruz de Moraes, era pianista também amadora. Na casa dos pais, durante os fins de semana, sempre havia música, com a presença do compositor Bororó, entre outros. Em 1927, quando cursava o último ano do antigo curso ginasial, no Colégio Santo Inácio, Vinicius tornou-se amigo dos irmãos Paulo e Haroldo Tapajós. Juntos, os jovens formaram um conjunto que tocava em festinhas.

Com Haroldo Tapajós, em 1928, compôs Loura ou Morena, canção que seria gravada quatro anos depois pelos dois irmãos. A partir daí, nosso poetinha
se tornaria o letrista de dez músicas gravadas entre 1932 e 1933: sete em parceria com Haroldo Tapajós, duas com Paulo Tapajós e uma com o violonista J. Medina.

Em 1953, o primeiro samba de sua autoria seria composto: Quando tu passas por mim, em parceria com Antônio Maria. Dois anos depois, Vinicius montaria a peça Orfeu da Conceição, com música a cargo de um então jovem pianista; Tom Jobim. Surgia assim uma parceria que se estenderia por toda a vida profissional e pessoal. A peça, que estreou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, se tornou um sucesso, lançada em seguida em disco.

Eternizando a parceria com Tom Jobim, uma série de intérpretes passa a gravar as composições da dupla. Elizeth Cardoso lança, em 1958, o disco Canções do Amor Demais, em que estavam incluídas Luciana, Estrada Branca, Canção do Amor Demais e Chega de Saudade. Um ano depois, Lenita Bruno lança Por Toda a Minha Vida. Outro importante parceiro de Vinicius foi Carlos Lyra. Os dois se conheceram em 1961, ano em que compuseram juntos Você e Eu e Coisa Mais Linda, entre outras.

Em 1962, em parceria com Pixinguinha, compôs a trilha sonora do filme Sol sobre a Lama, de Alex Viany. Ainda nesse ano, conheceu Baden Powell, com quem compôs as belas Samba da Bênção, Tem Dó, Samba em Prelúdio, Consolação, Canto de Ossanha e Samba de Oxóssi.

O ano de 1962 foi bastante pródigo para o poetinha. No show Encontro, realizado junto a João Gilberto, Tom Jobim e do grupo Os Cariocas, foram lançados seus maiores sucessos: Garota de Ipanema, Só danço Samba, Insensatez, Ela é Carioca e Samba do Avião, todas as canções parcerias com o maestro Tom Jobim. No ano seguinte, Vinicius somaria mais uma parceria profissional e pessoal: Edu Lobo, com quem compôs Arrastão.

Outras parcerias musicais seguiriam: Francis Hime, Dorival Caymmi, Chico Buarque, Toquinho (na foto acima, com quem compôs Tarde em Itapoã). Mais do que parceiros, amigos de um boêmio, poeta do cotidiano e amante das mulheres. O nosso eterno poetinha.

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