Carta aos Ventos

Ventos velozes
Que velam as horas de meu sono
E com voraz violência
Derrubam os meus castelos.
Ventos velozes
Que voltam às vezes pela manhã
E como vultos vistosos
Arrancam os meus desejos.
Ventos velozes
Que vagam pelo meu quarto
Nas vagas horas da noite
Voláteis como os meus dias.
Ventos velozes
Que vêem a minha vida
Que ouvem a minha voz
Venham de vez me buscar
E levem-me, veloz como a morte
Num vasto campo de flores
A voar
A voar
A voar.