Filho morto

Quando em ti penso, fruto de minh'alma
Lampejos de tua luz me arrepiam
Me enfurecem, enternecem

Quando em ti mergulho, fruto de minha vida
Sombras de ti me ocultam
entristeço, devoto-me

Olhando para ti, já no céu
Vejo o anjo, o demônio, alvorecer
Saudades da avidez do desejo,
Repulsa da luxúria do prazer

Olhando para ti, já no inferno
Vejo a luz, a beleza, desespero
Lembranças dos teus ornamentos
Jóia reluzente ao anoitecer

Por ti, lunar eternamente vívido
Devoto, solar em gélido sepulcro
Paixão, alma no chão da morte
Eterna, cruz em pedra ardente

Vai-te, imortal e radiante
Adeus, amante da agonia
Renasce, crisálida ao vento
Vive, alvorada da ventania.

22/03/2002 06:09 hs

Sueli Donario Safira Lilás®