Na presença de uma grande trovoada

Tremei, humanos: toda a natureza.
Do seu Deus ao aceno convocada,
Sobre negros trovões surge sentada,
Em cruel fúria contra nós acesa.

Do rosto seu escondem a beleza,
Medonha escuridade acompanhada
De abrasadores raios, e pesada
Saraiva que no ar estava presa.

Agora perde a cor de medo cheio,
O monarca feliz e poderoso,
Que o vil orgulho abriga no seu seio.

Tu descoras também, ateu vaidoso,
E menos cego sem achar esteio,
A mão, que negas, beijas duvidoso.

Souza Caldas