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A imortalidade da alma
Sim, eu sou mortal. Bramindo espume
A maldade cruel; e desgrenhada
Morda-se embora, pois não pode irada
Extinguir da razão o vivo lume.
Crede, caros amigos, não consome
Do tempo estragador a foice ervada
Esta viva faísca, que abrasada
Caiu do sopro do Supremo Nume.
O justo sobre a terra, aos céus erguendo
Os algemados braços, e o tirano
Vício do trono com o pé batendo,
Fazem fugir o refalsado engano
Que em vão forceja, para ver gemendo
Da verdade o sisudo desengano.
Souza Caldas
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