Sonetos

Oito anos apenas eu contava,
Quando à fúria do mar, abandonando
A vida, em frágil lenho e demandando
Novos climas, da pátria me ausentava.

Desde então à tristeza começava
O tenro peito a ir acostumando;
E mais tirana sorte adivinhando
Em lágrimas o pai e a mãe deixava.

Entre ferros, pobreza, enfermidade
Eu vejo, ó céus! que dor! que iníqua sorte!
O começo da mais risonha idade.

A velhice cruel, (ó dura morte!)
Que faz tremer tão triste mocidade,
Para poupar-me descarrega o corte.

Souza Caldas