Resgate

Um resgate de elos que na verdade nunca estiveram perdidos.
mordidos? talvez, mas não é só em Vila Real que a bruma
morde o horizonte.
e horizontes... a graça deles é podermos construí-los,
dia a dia.
da viagem, colhi a geada assim que partiu a lua
e a aqueci, em meu colo.
linda a noite - realmente límpida - que me deixaram entrever.

o cheiro do milho e do mel, saboreei-os
- apesar de que, desse teu inverno, não gostei nada, nada.
sem retirar a película do coração, choro com teus meninos
e ofereço o afeto, para forrar-lhes o coraçãozinho.
é outra maneira de morder os sentidos: acolhê-los.
e eles se vão, fluindo como um rio
para dar lugar a outros, mais suaves.

Poema inédito, a ser publicado em breve no livro Abrašos e Abrazos

S˘nia Regina e José Gil