Abraço

Crio veludos em um canto,
bem no ventre da minha pedra
favorita e cortesã

trago-a quieta e atenta

sempre acesa, ainda que de leve,
como que à espera de um momento
cremoso no qual se deite, me enrole
e me embole suavemente contigo,
até que me traduza em ti

e me leias inteiramente
[na minha nudez]
em tuas veias,
como ninguém o fez

ou fará.

29.5.04


Poema inédito, a ser publicado em breve no livro Abrašos e Abrazos

S˘nia Regina