| Mergulho
Ela corria pela ravina
quandeu lhe gritei:
desce, amor, sou eu.
Ela me perguntou:
o que me trazes,
o que me ofereces?
Trago no meu corpo
o perfume da terra áspera,
o cheiro da terra
na primeira neblina,
para ti eu trago.
Nos meus olhos,
o fruto amanhecente
numa aurora de ouro,
às tuas narinas,
eu trago o fruto.
Trago também, só para ti eu trago
o furor da tempestade,
o tremor do vento do deserto,
que de dia é quente,
que de noite é frio,
e aos teus cabelos não negarei
o arrepio
nem o mergulho,
não negarei...
E na ponta dos meus dedos
um dedilhar suave,
uns tons de sol,
uns tons de lua:
esquadrinharei todo o teu rosto,
pétala a pétala,
numa manhã de rosa.
- Agora vem, desce, amor!
Foi quandela saltou,
desequilibrou-se, nem sei,
de despenhadeiro abaixo,
e suavemente, pela cintura,
nos pousamos
nas touceiras azuis
dos manjericões de cheiro.
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