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"quebrei a imagem dos meus próprios
sonhos".
Augusto dos Anjos, in Vandalismo
Dizem que a cobra coral tem olho miúdo,
que sabe bordar uma paisagem
e encantar
uma visagem.
Dizem que os olhos da mulher
amada brilham profundamente
naquela lágrima,
insustida lágrima - quem lhe há-de fugir? -
que sempre me esforcei
para conter...
...
...e também colher.
Inesperado, um gesto: era-lhe a lágrima!
[Inútil, até que me esforcei para segurar]
um lenço,
meu reino por um lenço de seda:
foram os meus dedos ensaiados de ternura e unha,
um estranho cavalo, Ricardo e lenço,
quando os lenços eram inocentes pedaços de pano,
e os cavalos;
ah, os cavalos, como eram úteis, a chicoteá-los
numa fuga rápida na planície-pranto.
Nesta outra guerra, brutalíssima guerra,
guerra-de-dois,
e de muitos mais,
pois os fantasmas,
[por que você me fala
o tempo todo dos fantasmas?]
Você também não pára
de falar dos seus, as "suas" - ela disse.
Disse-lhe que era um ensaio de placidez, uma ternura.
Como assim?
Impossível!
Se as espadas são chispas
de egos e eros em cada-qual-de-si,
e lágrima
e armadura
e fechadura;
punhais,
umbrais?!
E me arrebatou o crânio,
e enfiou de espelho a dentro.
Afogava-me em espelhuras,
era uma voz de sinais,
qu'eu podia ouvir à beira do lago,
mãos de pluma porém me afogavam;
um murmúrio de sílfide,
bravia sílfide,
megeramente indomada
e as ardências.
Este seu olhinho perverso,
[e supliciava-se ela a meio-pranto,
lindíssima a meio-pranto,
belo também é o pranto!]
é de criança, por certo é de criança
o olhar,
(ela disse)
olho felino, porém,
de gato-leão, de cobra-serpente, de mil
demônios também.
Emergi dos espelhos,
não foi fácil, isto nunca é fácil!
[Ah, os espelhos,
como são terríveis os seus olhos,
terrivelmente doces, os seus, qu'eu nunca havia
reparado: - os espelhos?!]
Eu disse:
Deixe, amor, qu'eu mesmo lhe enxugue
essa lágrima vã.E lhe fazia um gesto
angelical e de fogo,
e as minhas mãos foram
bruscas em direção ao infinito;
que também suaves pareciam descer
aos abismos - as mãos -,
(ah, as mãos, elas dizem muito mais
que os olhos
sempre dizem, crispadas ou não, dizem tudo!)
cavei chão. Ela então me arrebatou também
as mãos.
E disse:
¡Bandido! Eu disse:
¡Bandida!
E nos engalfinhamos
e nos sangramos
no gradil do Templo,
venerando projeto de ressurreições.
Post-scriptum:
Um mensageiro?
De quem?
Quem o mandou?
Vou rasgar..., antes que o mensageiro fale...,
isto talvez fosse e é
um projeto vândalo.
Ah, poeta, porque estas coisas todas:
serpentes, espelhos, lagos irrefletidos,
os olhos d'Ela, os punhais, as sepulturas,
tudo isto, mais as crinas de uma égua árdega
na tarde cresta e os caminhos - perdidos! -
só servem estes, os perdidos!,
(-vou chamá-la, sim; Friar Lawrence, por favor!)
pois os lenços, as lágrimas, os reinos,
tudo, Juliet, e esta carta:
Ricardo, my king, agora os cavalos -
- onde a planície?
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