E era

Porque, amor, o amor é de abismos.

Absoluta certeza de que não:
emparelhara,
e como se tivesse visto,
ou como se nem,
e arrancou!
Ah, esses cavalos modernos,
só tropel e pó,
já num fôlego contra a montanha.
Como se fosse o mar,
e o mar defronte, profundos,
os olhos navegavam - pra onde?
Eram de ir, eram de vir?
Porque, amor, o amor é de abismos.
Ah, o mar, de explodir nas pedras,
ora marulho, doutras só espelho,
espelhavam
porque os meus, sumidos,
inteiramente nos teus e eram fundos:
seriam de ir, seriam de vir? - os teus olhos,
e eram fundos.
Vontade e desencontro:
Foi por ali,
ela teria dobrado?
Voltaria?
Por que não me disseste logo:
amor, aqui não, neste alpendre tosco,
os passantes, essas pessoas que nada;
vamos, vem, vamos, às maresias, lá me contaram,
duns passarinhos, sempre o mar,
saltitam a areia... eles são de ir, seriam de vir,
de tão branquinhos?
Disparou:
Um relincho súbito,
seria o coche da rainha
voltando e os arautos
seriam de ir, seriam de vir, aonde foram?
Não, não era ninguém!
É muito simples:
o desamor não tem disfarces.
É muito simples:
uma moto rapidíssima,
a moto, uma firmeza de flecha e aço,
as manoplas frementes, os joelhos em transe;
ah, essas motos modernas,
como gostaria de apalpá-las!,
de uns fios negros, mais uns de ouro;
outros, sanguíneos; na curva, tudo!,
uma inclinação bem funda,
vruuuummmmmm,
(a recusa!)
engolfando o horizonte.

Vem, amor, este o teu mar,
a ti, inteiro,
todo o meu naufrágio.