| O Prisioneiro
Trouxeram-me a prisioneira ao interrogatório.
Recusei-me às perguntas porque as respostas
estavam ao passado. Sequer o futuro
se lhe indagou; que também recusou
perguntar, quando os carrascos lhe disseram:
-Pergunte o que quiser.
Ela apenas balbuciou:
-Eu sei. Mentíamo-nos,
porque jamais nos víramos.
Decretei a prisão imediata de todos os carrascos.
Mantive a prisioneira sob algemas,
que ninguém é louco de manter
tesoiro tão rico ao léu; mas, prudência maior,
soltei-lhe os braços e mudei
as algemas aos meus próprios pulsos. Ela -
os gestos diziam que me seriam
sob afagos. Deixei:
apenas que os olhos, os cabelos úmidos:
- Os meus? Os dela? Era o chamamento.
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