Acesso negado

Fui chegando furtivamente,
tal qual ladrão, em noite de lua cheia.
Me aninhei em teus braços e,
como criança pedindo doce,
mendiguei um pouco do teu amor.

Com a mente fantasiando,
sabendo bem o que queria e,
o corpo ardendo em brasas,
incendiando meus pensamentos,
desabotoei tua camisa e,
deslizei a mão por essa trilha perigosa
que tão bem conheço.

E numa velocidade frenética,
lancei mão de todas as senhas,
para abrir a porta de teu coração,
que sempre encontrei trancado.
E na esperança de poder entrar,
decifrei todos os códigos...em vão.

Senti, de repente, um frio na espinha,
quando tua mão, a minha segurou,
com uma firmeza quase agressiva,
me impedindo assim, de continuar.

E em um segundo, minha mente esvaziou,
meu coração sangrou,
e as lágrimas começaram à rolar...
Senti, nesse momento, que,
minhas tentativas foram em vão, pois,
tive acesso negado, ao seu coração.

16/ 07/ 03

Simone Borba Pinheiro