Ânsia de viver

Meu tempo, não tem tempo
de esperar por ti.
Por ti que, só enganos, somou
aos meus desenganos.

A noite fria já não tem mais lua
E eu amor, já não sou mais tua.
Meu corpo hoje, se aquece em outros braços
E, é por isso que rompo todos os laços
com o tempo passado,
que nunca teve tempo para mim.

Cansei de esperar pelo vinho
que depois de feito,
já não fazia mais efeito em mim.
Cansei do dia, da noite,
da vida vazia
que se apoderou de mim.

Perdoe amor, os meus desencantos,
mas hoje só canto,
a alegria de viver.
Viver o amor, sem pranto,
com outro amor no meu canto,
cantando pra eu dormir!

Simone Borba Pinheiro
25/ 04/ 03

"Arraiá" de São João

Os fogos anunciavam
a subida dos balões,
que o céu iluminavam
a noite de São João.

Barraquinhas de pipoca,
cachorro quente e quentão,
a moça vendendo "bitoca"
e os moços dizendo:-Que "bão"!...

Com balões e lindas bandeiras,
o "arraia", estava enfeitado,
para as muitas brincadeiras,
sem poder ficar sentado.

No auge da festa animada,
no quintal entra a quadrilha:
À frente a noiva mimada,
com a barriga na virilha.

O noivo, o bem amado,
tremia sem parar
de medo do sogro armado,
que só fazia gritar.

O padre só gaguejava
em frente a tal situação,
e a mãe da noiva rezava
pra acabar a confusão.

Casamento realizado,
o sogro se acalmou,
o amor estava selado
e a festa continuou.

Simone Borba Pinheiro
22/ 05/ 03

As armadilhas da vida

Era uma linda menina
criada como princesa,
cresceu com princípios
de uma certa realeza.

Mas a vida às vezes, por certo,
tem das suas armadilhas
e os pais não estando por perto,
caem em cima, os cães em matilha.

E de repente, a pobre menina
em más companhias andava,
achando que adrenalina
era tudo o que precisava.

Quando chegou a perceber
a fria em que ela estava,
não deu o braço a torcer,
dizia que controlava.

Mas no fundo ela sabia
que seu fim se aproximava,
pois nem bem amanhecia
e ela já se drogava.

À sua volta tudo desmoronava.
Amigos, família, tudo enfim.
Mas a menina não ligava,
só esperava seu fim.

Os pais em total desespero,
tomaram a decisão,
internaram a menina
que ficou em reclusão.

Mas o destino estava traçado.
Os pais não tinham como lutar
com o horário marcado,
da morte que ia chegar.

No último dia de vida,
no leito de morte chorava,
a mãe compadecida
com a triste sina estava.

E lá se foi a filha amada,
deste mundo descabido,
partiu sem saber nada,
sem nunca ter vivido!

Borba Pinheiro
17/ 03/ 03