Insalubre

Bem no fundo, num canto qualquer escondido
Lá pelas bandas do ego ferido
Te esperam ver tristonha...
Cabisbaixa... Dizendo ser a vida enfadonha
Se dizes com lamúrias que pranteias,
Encontrarás consolo, um colo, uma teia...

Porém, se disseres ser mui amada,
que tem na paixão,
teu melhor quinhão,
e que por Deus foste agraciada,
Verás nos olhos a ira, a revolta malvada
Dançar em nuvens de espuma sob a seda envolta?

Sinfonia de anjos tua alma agraciando?
Transpirar teu desejo em voz arfando?
É luxuria, apelas!
Garatujas mal feitas mazelas...
Corras então, frente ao espelho,
E bradas em alto e bom som,
Sou eu sim, feliz...

O meu amor
Ao mundo a mostrar,
E não há nada, que possa,
Deste sentimento me livrar...

19/04/04

Silvana Cervantes