O estrangeiro

Para Memória de Lord Byron

As noites são eternas, no Alasca
Mas em meu coração são muito mais
Tenho horror de viver, e o que se passa
Eu me vejo em manchetes de jornais

Talvez atropelado por uma vaca
Ou um suicida à beira do cais
Talvez um mendigo com alpargatas
Ou um cego dormindo entre umbrais

É noite em meu coração partido
Tenho ilusões - e as torno reais
Deus sabe o quanto eu tenho sofrido

E escrevo, por lastro de ancestrais
E deixo de herança, aos abismais
O estrangeiro que eu tenho sido!