Noturno nº 1

Quando a minha noite chegar
e se fechar manta sobre mim,
vai me encontrar o pequenino,
não verá o velho ancião, não,
mas aquele mesmo menino
filho das noites sem calafrio.

Quando essa noite me visitar,
verá o mais breve reencontro
entre a paz total e a escuridão,
vai encarar o mesmo olhar
que nela previra o desatino,
o habitante da noite devassa.

É primavera em algum lugar,
aqui a escuridão se debruça
a matutar porque não a temo.

Salomão Rovedo