| Disparidade social
Fim de tarde: um plúmbeo céu
cobre toda cidade.
Os painéis, reluzindo
suas cores nas calçadas,
logo substituem
a extenuada claridade.
Da lida diária regressamos,
quais aves em revoadas...
Em opulentas mansões,
botelhas importadas
coalham fartas mesas;
pois, com brevidade,
glutões abastados
deliciarão ambrosias variadas,
para repousarem
em ricas alcovas, mais tarde.
Enquanto isso, uma pobre mãe
sentada no inerme chão,
faminta, estende a mão,
a uma esmola implorar...
Ao seu redor, magras crianças
deglutem uma côdea de pão....
E a noite,
que a tudo assiste,
triste e com angústia insana,
como eu, fica a se interrogar
diante tais extremos
de existência humana!
|