Soneto do amanhecer

Pelo amanhecer, onde tudo é abstrato
Descobri em mim um perfeito excluído.
Em algum lugar, num porta-retrato,
A longínqua figura de um menino

Que talvez fosse deveras feliz;
Mesmo que muitas vezes excluído,
Mesmo cansando-se de ser menino,
A alegria estava sempre por um triz...

Que mágica era essa que virou extrato?
Onde será que esconderam o giz
Que desenhava sonhos pueris.

Numa parede negra, sob o estrado?
Quiçá o segredo não esteja embutido
Nesse coração ainda não concluído...

16/01/05

Rodolfo Valente