Trom

Declaro todo o meu desdenho à dialética modorrenta,
Estou farto do modelo empenhado em cunhar o meu tempo
[e joga-lo pela janela
Querem-me formado, casado e estável;
Querem a carreira meteórica...
Danem-se todos - Não terão o meu tempo!

Eu o quero lento e acelerado
(como uma formiga correndo pelo estrado)
- Ai, mas estes murmúrios, estas retóricas romanescas -
Ora, porque não fechais vossos estômatos?!
Deixem-me escutar o clangor e o trom dos meus
[pensamentos!

Querem-me linear, exato e compassado?
Não, eu me recuso!

Dane-se vosso modelo catônico!
Antes o degredo ou a morte...
Quanto ao meu tempo?

Faço-o EU!
Afinal, que parte tenho eu com esta convenção?

9/12/03

Rodolfo Valente