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Desabafo
Sem buscar fazer um canto lírico,
compor da saudade,
ou chorar
Passo a pensar na colheita,
lembrando de terras passadas, sem chuvas
Quando em sorrisos,
novas relações em novos amores,
sempre a marcar
O tempo presente,
firmavam o desencanto da vida,
tirando as luvas
E com as mãos nuas,
sem medo do toque desconhecido,
do carinho esperado
Desnudava a alma,
reconhecendo nos olhos de idílios passados,
o amor
Que decantado em mil meneios,
diferente a cada toque, trazia o inesperado,
Escondendo em sutilezas,
com a graça e a arte da noite escura,
sem dor
Sempre em sonhos,
criando no infinito de meus pensamentos,
a certeza
De ações naturais a dois,
sem preconceitos,
deixava bater forte o coração
Marcando sem deixar cicatrizes,
fazendo findar a busca da realeza
Em sentimentos,
limitando a terra, indo para o ar,
contendo a emoção
Em castelos mal construídos,
sem criar muralhas, pontes e armaduras
Deitando no frio de pátio descoberto, sem esconder o frio,
em meio a palhas,
O corpo cansado, envelhecido, parece cantar,
do desamor e amarguras
Gritando ao deserto interior,
procurando razões,
descobre eternas falhas
Sem lágrimas,
busca consolo na vida,
isolando em cárcere não privado,
Angústias e solidão,
acreditando no amanhã,
quer e tem o livre arbítrio
Para em julgamento de desafetos,
fazer valer o direito, de ter amado
Chorando afinal, encontro uma nova canção de final feliz, sem martírio.
Renato Alberto Moore
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