Medo de se separar

Às vezes conversamos com um casal que, sem saber bem explicar por quê, continua junto. Um critica o outro o tempo todo e, para ganhar tempo, fingem acreditar que o parceiro vai se transformar e chegar ao ponto desejado. Assim, se justifica ninguém tomar qualquer decisão. Seria precipitado. Se o papo enveredar para o lado do sexo, prepare-se: aí, sem dúvida, é uma tragédia. Você vai se dar conta de como as aparências nada significam e, surpreso, vai descobrir que mesmo com um casal carinhoso, que parece tão unido, o sexo vai mal há anos. E o que é pior: não existe disposição alguma para melhorar. É tudo meio morno, meio sem graça, mas se vai levando, como se não houvesse outro jeito. Só transam de vez em quando, e olhe lá. Meio para fazer de conta que ali existe um casamento e não se sentir tão covarde. Comportam-se como dois irmãos, só que, no íntimo, um responsabiliza o outro por não conseguir sair dessa vida tão limitada. Mas por que não se separam?

As pessoas têm medo de se separar. Medo de ficar só, de sentir falta do outro, de não encontrar um novo amor, do desamparo, de não conseguir se sustentar, de se sentir jogadas fora, de não ter nada para fazer no sábado. Não continuam, por todos os meios, insistindo em nos fazer acreditar que só é possível ser feliz tendo alguém do lado? Então, está tudo certo, paga-se qualquer preço para isso.

Regina Navarro Lins