Quem é mais infiel, o homem ou a mulher?

Você já pensou o que é uma mulher com seis maridos ao mesmo tempo? Algumas devem achar maravilhoso, outras, só de imaginar, querem se atirar de um penhasco. Em uma sociedade na Nova Guiné é assim, mas é coisa rara. O homem ter um harém se vê em várias partes do mundo. Entre nós, acontece algo curioso. Todos acham a coisa mais natural as pessoas se casarem uma só vez e passarem a vida inteira tendo relações sexuais só com aquela pessoa. Apesar de todas essas variações, as relações extraconjugais estão presentes em todas as culturas.

Nas sociedades patriarcais como a nossa, sempre houve um padrão duplo de moral. A infidelidade, apesar de condenada pela Igreja, foi aceita socialmente para o homem. Alegava-se que a índole masculina era assim mesmo, e as mulheres se conformavam. A natureza dava sua contribuição para manter esse padrão. Como o homem não engravida, fazer sexo com várias mulheres em nada afeta sua linhagem.

A poligamia - sistema em que é permitido ao homem ter mais de uma esposa de cada vez - existe em 84% das sociedades humanas. Um imperador do Marrocos foi até agora o homem que teve o maior harém. O livro Guiness dos recordes relata que ele teve 888 filhos com suas muitas esposas. Pode até ser que ele tenha sido superado. Alguns imperadores chineses tiveram relações sexuais com mais de mil mulheres. Elas participavam de um rodízio cuidadoso, que as colocava no quarto do imperador quando estavam no período fértil. Mas não são somente os chefes de Estado os privilegiados. Na África Ocidental a poligamia é muito comum. Os homens mais velhos têm duas ou três mulheres ao mesmo tempo. Para a mulher sempre foi mais difícil. Cada vez que fazia sexo, corria o risco de ter um filho que não fosse do marido.

Entretanto, após a revolução sexual iniciada na década de 60, surgiram novas tendências no Ocidente. Homens e mulheres começaram a ter relações extraconjugais mais cedo do que nas décadas anteriores, e o padrão duplo homem pode, mulher não pode, foi corroído. As mulheres passaram a considerar seus direitos iguais aos dos homens e o sexo extraconjugal passou a fazer parte de suas vidas. A pílula anticoncepcional foi decisiva, permitiu que elas só engravidassem se quisessem e de quem quisessem.

No início dos anos 80 uma pesquisa nos Estados Unidos indicou que 54% das mulheres e 72% dos homens, todos casados, tiveram relações extraconjugais. Pode ser que atualmente nem haja mais essa diferença entre os sexos. Já se passaram quase 20 anos, o que acentua a mudança de comportamento, além do fato de que os homens tendem a se vangloriar quando se relacionam fora do casamento e as mulheres, a ser mais discretas.
Apesar de ainda se afirmar que as mulheres são naturalmente mais recatadas no sexo do que os homens, não era isso o que pensavam nossos antepassados. Desde que o patriarcado se instalou, as mulheres foram consideradas perigosas, donas de uma sexualidade incontrolável. O costume dos véus se desenvolveu nas sociedades islâmicas porque acreditavam na extrema capacidade de sedução das mulheres. No início do cristianismo os homens eram orientados a fazer sexo com suas esposas regularmente, por considerarem que o impulso sexual delas era maior do que de seus maridos. Talvez o fato de a mulher poder ter vários orgasmos consecutivos tenha contribuído para reforçar a idéia da mulher insaciável.

Na realidade, o que se observa hoje no comportamento de homens e mulheres é que ambos têm relações extraconjugais com a mesma satisfação. Contudo, como a mulher foi ensinada a acreditar que para ela amor e sexo têm que estar sempre associados, algumas, mesmo desejando viver essa experiência, não têm coragem.

Regina Navarro Lins