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Mulher: sexo frágil? Preciso ter um homem ao meu lado para me sentir protegida." Apesar de muitos afirmarem que a grande revolução deste século é a das mulheres, não são poucas as que ainda fazem esse tipo de reivindicação. Ao contrário do homem, que é estimulado a ser independente desde que nasce, a mulher não é criada para defender-se e cuidar da própria vida. Quando adolescente, continua sendo treinada para a dependência. Não deve sair sozinha (um irmão é solicitado a acompanhá-la), seus horários, assim como sua sexualidade, são mais controlados, e é cobrada a permanecer mais tempo em casa. Por mais que estude e faça planos profissionais para o futuro, alimenta o sonho de um dia encontrar alguém que irá protegê-la e dar significado à sua vida, não dando ênfase a uma profissão que a torne de fato independente. Apesar de o movimento feminista da década de 60 ter feito com que grande parte das mulheres se rebelassem contra o eterno papel de donas de casa e mães, e as exigências práticas da vida não mais permitirem que elas se escondam sob a proteção do pai ou marido, para muitas a liberdade assusta. Afinal, foram ensinadas a acreditar que a mulher é frágil, com absoluta necessidade de proteção. As que se sentem capazes, com freqüência temem desapontar as expectativas do homem. Como a combinação de sexualidade e competência nas mulheres parece ameaçar a virilidade deles, elas optam por esconder a sua autonomia e representar o papel feminino estereotipado. Assim, aceitam ter a função de um espelho que reflete o ideal e a fantasia do homem, sempre ajustando sua imagem de acordo com as necessidades e exigências dele. Para a historiadora canadense Bonnie Kreps, as penalidades por não representar esse papel são rigorosas. Elas se estendem desde tornar-se invisível até a perda do apoio econômico e do status de uma pessoa saudável. "A multidão de atributos expostos nesse papel - maneiras respeitosas, olhar recatado, sorriso constante, a risada que confirma, entonação crescente, gestos físicos cautelosos, e assim por diante - foi adequadamente chamada de atitudes de acomodação", diz ela. Um respeitado estudo americano sobre a masculinidade e a feminilidade a partir de uma perspectiva da infância confirma isso ao descrever os estágios da aprendizagem do respeito ao sexo masculino. São eles: afirmação (dos 6 aos 10 anos), no qual as garotas têm rancor dos meninos; ambivalência (dos 10 aos 14 anos), quando as garotas começam a se desviar para o lado dos meninos; e acomodação (dos 14 em diante), no qual as garotas aceitam a "necessidade do apoio masculino". A mulher acomodada aceita que todo homem com quem se relacione a proteja. Bonnie Kreps diz ser possível observar em qualquer lugar o ritual diário pelo qual as mulheres permitem que os homens as guiem em situações físicas que podem controlar perfeitamente sem assistência masculina ou então estariam mortas. "Ainda assim, lá está ele, o braço masculino onipresente em nossa direção, dirigindo-nos nas esquinas, através das portas, para dentro dos elevadores, subindo escadas rolantes...atravessando ruas. Esse braço não é necessariamente pesado ou grosseiro; é leve e delicado, porém firme, como dos cavaleiros mais confiantes com os cavalos mais bem treinados". Portanto, ela considera que a noção de cavalheirismo é crítica para as mulheres. Que tipo de homem deseja proteger uma mulher? Certamente não seria um que a vê como um igual, que a encara como um par. Mas aquele que se sente superior a ela. E como diz Mae West em um dos seus filmes: "Todo homem que encontro quer me proteger...não posso imaginar do quê." Regina Navarro Lins |