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Divino combate
"Mais, mais, mais!" Suplica a fêmea
desvairada
Enquanto ambos enlouquecem de prazer.
São espasmos mútuos, são fricções
recíprocas,
E enquanto as mucosas mais se atritam,
Enquanto os vaivéns se intensificam,
A loucura também aumenta e ela grita:
"Mais, mais, mais!", numa fúria infinita.
Pode até estremecer o chão
Pode a luz do dia virar escuridão
Pode, afinal, desabar o teto:
O isolamento do mundo é completo.
E aquilo que parece um mútuo xeque-mate;
Que mais simula um sangrento combate,
É na verdade um gozo indescritível.
E se acaso não tivera um fim
O fim de ambos ocorreria assim
Pois é prazer demais: "Mais, mais!"
Mas felizmente, ou infelizmente
Existe um ponto que os "ais"
Não podem ultrapassar,
Sob pena da "realidade"
Nunca mais voltar!
Porém enquanto o desvario é infinito
E os vaivéns parecem eternizados,
Ela transforma em rugir aquele grito,
E ele sente se aproximar o final do atrito,
Pois algo quente lhe brota das entranhas
A escorrer-lhe pelo "vale da montanha".
Mas ainda assim não sobrevém a paz,
Pois nunca pára aquela voz "insana":
"Mais, mais, mais, mais! Ó, mais"
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