Poesia sem título (1972)

Eu não pertenço ao domingo ensolarado
Meu pijama branco e largo
Que eu arrasto pela sala
Pela sala de jantar

Já não m`importa , o que m`importa nesse instante
É o meu vagar constante
Sob o peso dessa estante
Que eu vasculho até dormir

Meu quarto escuro sob os olhos de coruja
Boca seca e roupa suja
O coração se enferruja
Ao contato do verniz

Eu não pertenço nem à flor nem à espada
Tenho é u`a fome desgraçada
Minha cara engarrafada
Mais parece um guaraná