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Tumor
O amar machuca a alma
Em machucar, profunda dor
E falta à vista, a flor da calma
Virtuosa causa, arco sem cor.
É veneno dos mortais
Feitiço que vira-se a ti, ao fim
Faz absorver sensações joviais
E propulsar nas veias carmim.
É doença e não tem cura
Faz do corpo são, febril.
Leva ao fogo a alma pura
Vai ao céu num raio móbil
Mas ao certo sofro. Natural!
Por que privar-me-ia de tal heresia
Se sabia que caía nesse bom do mal?
No sono eterno do dia
Que vem profundo sonho abissal
Do inferno a chama fria.
Também provaste o que é amar?
Sabe que pode sonhar pra sempre
E nunca mais acordar.
Poeta, não! Mais um sofredor
Por um momento refleti sozinho
Se a cura de maligno tumor
Fosse a soma de vil carinho.
Raul Medes
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