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Tempo de mudo
Houve um tempo, em que havia um sorriso no ar, um brilho no
olhar, um desejo de estar.
Houve um tempo em que estrelas circulavam nossos sonhos, em
que a lua refletia letras de canções que para mim serão eternas.
Houve um tempo em que o silêncio de nossos corpos espelhavam o
calor de nossas palavras.
Houve um tempo ainda, em que um simples olhar seria capaz de
dizer aquilo que nem o maior dos poetas poderia com palavras
expressar.
Houve um tempo, houve sim, mas passou, e eu acordei, e vi que
durante a dura caminhada da vida jamais encontrara pessoa de
tamanha expressão.
Houve um tempo em que cego deixei de enxergar tudo o que estava
a minha volta.
Houve um tempo em que surdo deixei de ouvir o que meu coração
me dizia.
Hoje é tempo de mudo...me arrependo e não tenho palavras que
descrevam a dor que me persegue, a saudade que me alimenta, o
amor e o carinho que me cerca e a esperança que explode em meu
peito a cada vez que pronuncio o teu nome.
Rafael Galiza de Azevedo
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