Distante

A Álvares de Azevedo Sobrinho.

Hoje soluça o vento nas palmeiras
E um gemido das árvores arranca...
Partiu! Corra mais límpida e mais franca
A torrente das lágrimas ligeiras.

Partiu! De longes terras estrangeiras
O bálsamo que as lágrimas estanca.
Traga-mo a asa tenuíssima, a asa branca
Da mais branca das pombas mensageiras.

Vendo-a. Cale-se a dor, vão-se os soluços...
Fique ela só de longes terras vinda
Para consolo desta soledade,

Fique, e possa eu contar como, de bruços,
Doido, chorei sobre as tuas cartas, e inda
Como punge esta indômita saudade!

Pedro Rabelo