Artinnatura

Às noites em meu quarto solitário
ouço batidas fortes e sonoras,
lúgubre carrilhão das densas horas,
retumba a madrugada em campanário.

Nas asas dos morcegos a alma aflora,
errante voa e cumpre o itinerário
refaz item por item questionário
que no escuro dos quartos sempre mora.

Inquietações da angústia da caverna,
gotejam feito versos de um soneto,
explodem feito dor em dinamites;

- Augusto, acende logo tua lanterna !
E vê pingando em último terceto
dos Anjos pranto em estalactites.

Paulo Urban