Dissolução

Da ampulheta partículas de areia
Derradeiras do Tempo se desprendem,
Entregam-se ao vento e se estendem,
Enredam-se nos nós da Grande Teia.

No Náutilus de Prata eis que mentem
Marujos de infortúnio à maré cheia;
Representam os desígnios da areia,
Estupefatos bebem, dançam, sentem...

Cospem no chão paixões que não suportam,
E engasgam com a última ebriedade
À penumbra maldita das candeias.

Quando além de seus barcos se transportam,
Mergulham suas almas sem verdade
No canto mavioso das sereias.

Paulo Urban