Quimeras

Dor em razão da desproporção
Do inato desfeito, desafeto
Procriado por mãos imperfeitas
Calejadas por sangue, vermelho…
Que há em mim, em ti?
Em nossas vidas, a ilusão
Do agora, que demora
Que não refaz o engano
Que no palco representamos, a vida
No encalço da verdade, sem proporção
Domínio fatídico e sem esperança
E por horas e noites
A fio, espero sem crer
Sem querer acreditar
Que no espaço entre mim e as estrelas
Corre uma agulha envenenada
Com a ilusão mais sincera
Que brotou com os anos
Sem calar o sofrimento
Sem querer me deter…
Mas veio na contra mão do dia
Permitindo que meus lábios…
Que meus sonhos, tocassem a noite
Mas eu não encontrei o rumo
Em obras sem prumo
No sorriso sarcástico eu deitei…
Fiz minha cama, de pregos,
De afiadas navalhas provei
Acabei sorvendo do veneno
Do frio da alma, sem aquecer
Sem enfraquecer o coração
Apenas por procurar, parti…
E ancorei em um porto sem casas
E morei em um lar sem amigos
Onde as plantas eram de plástico
E o inverno e a neve eram de algodão
O vinho, quente…
Como sangue, gosto de cicuta
Tirou a palavra de Sócrates
Pois eu também sei,
“Sei que nada sei…”

18/05/1999

Paulo Nieri